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Capítulo 6: Prática da Igreja: A visão exclusiva das primeiras igrejas

“Paulo ensinou a todas as igrejas este costume e esperava que o seguissem. Nesta declaração final ele corta todos os outros argumentos apelando ao uso cristão universal [da cobertura feminina]”. 1) Mary Kassian, Women, Creation and the Fall (Crossway Books, 1990), 100.

Mary A. Kassian, professora de estudo de mulheres, Southern Baptist Theological Seminary

 

A palavra final de Paulo em relação à cobertura da cabeça fornece um dos argumentos mais fortes a favor dele: a prática uniforme de todas as igrejas. Aqui está o que ele diz:

“Contudo, se alguém quer ser contencioso, saiba que nós não temos tal costume, nem as igrejas de Deus.”(1 Coríntios 11:16)

Enquanto a maioria das pessoas na igreja de Corinto realizava a prática da cobertura da cabeça, havia obviamente alguns que tinham problemas com ela. Paulo diz a essas pessoas que, se elas são contenciosas, elas estão sozinhas. Todos os apóstolos e todas as igrejas locais praticavam a doutrina da cobertura feminina.

Tal costume?

Você pode se perguntar, por que eu digo que eles seguraram a prática de cobertura da cabeça quando o que ele realmente diz é que eles não têm “tal prática”? A fim de resolver esta aparente discrepância, devemos definir “prática”, olhando para o seu mais próximo antecedente. Entendemos que se eu disser: “Ele não quer ir lá”, você só pode saber quem “ele” é e onde “lá” é olhando para a frase anterior para encontrar os antecedentes dessas palavras. Da mesma forma, só podemos saber o que a “prática” é olhar para os versos anteriores. Essa é a chave para interpretar corretamente esta passagem. Vamos começar no versículo 13 para que você possa ver isso por si mesmo.

“Julgai entre vós mesmos: é próprio que a mulher ore a Deus sem trazer o véu?Ou não vos ensina a própria natureza ser desonroso para o homem usar cabelo comprido?E que, tratando-se da mulher, é para ela uma glória? Pois o cabelo lhe foi dado em lugar de mantilha.Contudo, se alguém quer ser contencioso, saiba que nós não temos tal costume, nem as igrejas de Deus.”(1 Coríntios 11:13-16)

O início deste verso onde ele diz “julgue entre vós mesmos” é o começo de um novo pensamento. Ele está dando um novo argumento, que vem da natureza, e ele faz isso perguntando retóricamente: “é próprio que a mulher ore a Deus sem trazer o véu?” Esta é a questão em discussão. Ele então prossegue para fazer seu argumento apontando para comprimentos de cabelo antes de chegarmos ao verso que estamos falando. Deve-se notar que o antecedente mais próximo para a “prática” não é a cobertura da cabeça, que não foi mencionada desde o versículo 10, mas sim a prática de mulheres orando descobertas (1 Coríntios 11:13).

Assim, Paulo está dizendo que, se alguém está sendo polêmico, as igrejas não têm “tal prática” como a que a pessoa contenciosa está defendendo (ou seja, as mulheres orando com cabeças descobertas). Paulo não está dizendo que não há uma posição oficial sobre a cobertura da cabeça – ele acabou de dar essa defesa. É por isso que outras versões tentam tornar este versículo mais legível ao traduzi-lo: “Não temos outra prática, nem as igrejas de Deus” (1 Coríntios 11:16). É menos literal, mas tenta trazer para fora o significado verdadeiro mais claramente. 2) As notas de rodapé da NASB (New American Standard Bible) afirmam que  “tal prática” é a leitura literal. Eles dão uma tradução menos literal para a legibilidade. Assim, essa tradução assume que a prática é cobertura da cabeça.

Tertuliano, um apologista cristão que viveu entre cerca de 155 a 220 dC, escreveu muitos livros teológicos. Em um deles, O Véu das Virgens (The Veiling of Virgins), ele argumentou a partir da Escritura e da tradição que todas as mulheres devem ter suas cabeças cobertas, não apenas aquelas que estão casadas. Há uma declaração muito útil que ele fez sobre a igreja em Corinto em seu dia, aproximadamente 150 anos depois que Paulo escreveu sua primeira carta para eles. Ele diz:

“Assim também os próprios coríntios entenderam [Paulo]. Na verdade, até nos dias de hoje os coríntios cobrem as suas virgens com véu. O que os apóstolos ensinaram, seus discípulos aprovam.” 3) Tertullian, “On the Veiling of Virgins,” 33.

Tendo observado a igreja de Corínto do terceiro século, Tertuliano, em essência, diz: “Eles entenderam que Paulo queria dizer que todas as mulheres devem usar véu para a cabeça. Isso é evidenciado pelo fato de que até hoje é praticado por elas.”

Este ensinamento continuou sendo a prática padrão da maioria das igrejas ao longo da maioria da história da igreja. Como R.C. Sproul Sr. nota: “O uso da cobertura feminina na adoração foi universalmente a prática de mulheres cristãs até o século XX. O que aconteceu? De repente, descobrimos alguma verdade bíblica para a qual os santos por milhares de anos eram cegos? Ou será que nossas visões bíblicas de mulheres foram gradualmente corroídas pelo movimento feminista moderno que se infiltrou na Igreja de Jesus Cristo, que é “o pilar e o fundamento da verdade”? 4) Greg Price, “Head coverings in Scripture,” http://www.albatrus.org/english/living/modesty/headcoverings_in_scripture.htm, acessado em 23 de agosto 2015.

A cobertura feminina não é uma doutrina nova e estranha. Esta é uma velha doutrina, baseada na Bíblia e compreendida dessa maneira pela maioria ao longo da história da igreja. A cobertura feminina foi praticada em todas as igrejas através dos séculos, e nós somos a exceção de hoje. Está na hora de mudarmos isso!

Temos uma última consideração antes de terminar o respaldo bíblico para a cobertura da cabeça. Vou mostrar a você cinco razões pelas quais esta prática é um mandamento bíblico, não uma questão de liberdade cristã.

References

1.
 Mary Kassian, Women, Creation and the Fall (Crossway Books, 1990), 100.
2.
 As notas de rodapé da NASB (New American Standard Bible) afirmam que  “tal prática” é a leitura literal. Eles dão uma tradução menos literal para a legibilidade. Assim, essa tradução assume que a prática é cobertura da cabeça.
3.
 Tertullian, “On the Veiling of Virgins,” 33.
4.
 Greg Price, “Head coverings in Scripture,” http://www.albatrus.org/english/living/modesty/headcoverings_in_scripture.htm, acessado em 23 de agosto 2015.

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